Saúde & Bem Estar

Nas alturas: a importância da escolha correta do salto para não prejudicar os pés

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar | 7 min

Você sabe qual o reflexo do uso do salto para o corpo?

Para muitos, o uso do salto alto é considerado um sinônimo de elegância, feminilidade, sensualidade e beleza. O item presente no guarda-roupa de grande parte das mulheres, faz parte de uma busca por uma postura mais imponente e, por vezes, de alguns centímetros a mais. Ainda, pode ser parte do dresscode de eventos sociais e do ambiente de trabalho.

A data correta de quando o acessório começou a fazer parte do vestuário, ainda é uma incógnita. Há registros do seu uso ainda no Egito antigo e durante a Idade Média. Mas, certamente, um dos períodos que marcou sua utilização foram os reinados de Luís XIV e Luis XV, no século 17 e 18 na França, sendo de uso masculino. Perdendo a fama durante a Revolução Francesa em 1791, voltaram à moda no século 19 e consolidaram-se de vez no período seguinte, com a adesão de estrelas de Hollywood.

E qual o reflexo do uso para o corpo? A ortopedista especializada em cirurgia de pé e tornozelo, Dra. Tania Szejnfeld Mann, conta que “o benefício do uso do salto pode ser sentido em saltos de até 2cm. Pois elevam o calcanhar e ajudam a diminuir a tensão na fáscia plantar e no tendão calcâneo”.

Dr. Bruno Lee, ortopedista também especializado em pé e tornozelo, acrescenta que “a elevação dos calcanhares leva ao deslocamento do centro de gravidade, o que gera um aumento da anteversão da pelve e, por consequência, um aumento da lordose lombar, ou seja: há um “empinamento” do bumbum. Talvez essa alteração estética seja o único benefício do uso do salto alto”.

Mas fique atenta ao modelo. De acordo com o médico, quanto mais largo o salto, para aumento da estabilidade e prevenção de entorses, e quanto mais baixo o salto, para redução na biomecânica da marcha, melhor. A Dra Tania ainda explica que “o salto de 2cm distribui a peso do corpo 50% na parte da frente do pé (antepé) e 50% na parte de trás (calcâneo), sendo o mais confortável. A partir daí, o peso começa a ser distribuído do calcanhar para a frente do pé. Num salto de 4cm, 70% do peso do corpo vai pro antepé; e num salto 9cm, 90% do peso corpo vai para o antepé”, explica a médica.

Também é preciso parcimônia quanto ao período de tempo que o corpo permanecerá com o sapato. “Não é recomendável o uso de salto por muitas horas consecutivas, especialmente se for ficar em pé ou caminhando. Se você tem alguma ocasião em que o salto alto faz parte do vestuário, use apenas durante o evento. Assim, se você precisa usar salto no seu trabalho, use um calçado baixo e confortável quando estiver indo e voltando, e reserve o uso do salto para o tempo necessário”, diz Dra. Tania.

E existem riscos associados ao uso de salto alto. Por diminuir a superfície de contato do pé com o chão, a pessoa está mais suscetível a sofrer entorses do tornozelo e joelho. E o aumento do peso no antepé, aumenta as lesões por sobrecarga nessa região. Pode haver também sobrecarga muscular nas panturrilhas, coxas, joelhos e na região lombar.

Para evitar esses efeitos adversos, os médicos dão dicas de prevenção. “É preciso parcimônia no período e no formato (altura e largura) do salto e fortalecimento e alongamento da musculatura dos membros inferiores, região lombar e abdômen, no intuito de redução dos efeitos lesivos da alteração crônica da biomecânica e centro de gravidade do corpo”, diz Dr. Bruno. A ortopedista complementa: “Ter a perna forte é importante, pois o salto alto muda a posição de todas as articulações da perna. Optar por saltos quadrados e que a caixa anterior não seja de bico triangular”.

 

*Dra. Tania Szejnfeld Mann é ortopedista especializada em Cirurgia do pé e tornozelo e Osteometabolismo. Colaboradora do Grupo Medicina e Cirurgia Pé e Tornozelo EPM/UNIFESP. Colaboradora do Grupo de Doenças Osteometabólicas EPM/UNIFESP. Doutora EPM/UNIFESP. Membro da diretoria ABTPé 2020/21. Membro da direitoria ABOOM 2020/21

*Dr. Bruno Lee formou-se na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo,e se especializou no atendimento de pacientes com patologias do pé e tornozelo. Tendo praticado inúmeras atividades esportivas durante sua vida, o médico integra seu conhecimento técnico ao esportivo, unindo o conhecimento anatômico, patológico e funcional para o alcance do melhor resultado no tratamento. Nos últimos anos, buscou continuamente o aperfeiçoamento nas técnicas minimamente invasivas para tratamento das patologias dos pés.

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